Um olhar sobre o feminino

Quando idealizei este blog, o intuito era ter mais um canal para falar sobre a arte marcial que pratico: aikido. Pensei em um nome que me representasse enquanto praticante e também, de alguma forma, me aproximasse de outras mulheres que tivessem as mesmas dificuldades, ou facilidades que eu tenho nesse caminho e dividir e somar com essas parceiras tudo aquilo que sentimos no tatame: nossas dores, nossas vitórias, nosso dia a dia, nossas reflexões, as alegrias, nossas travas e medos.

Aikido não é fácil. Não é fácil para os homens e muito menos para nós mulheres, que passamos por muitas transformações fisiológicas ao longo da vida e isso interfere diretamente no treino. E quando conseguimos dividir e aprender sobre isso enquanto praticantes de aikido, só acrescenta pontos positivos na nossa evolução dessa arte marcial e também na vida pessoal.

Convidei algumas mulheres para entrevistas ou para falarem sobre sua vivência no aikido e divulgar suas experiências no tatame através deste blog (ou através do perfil do Instagram, ao qual também faço parte, Aikido Ladies, junto com outras mulheres), e apesar deste espaço ser democrático e num futuro próximo eu desejar convidar alguns homens praticantes a darem seus depoimentos, a princípio, é sobre elas que quero falar.

Curiosamente o nome, “Mulheres no Tatame” causa um certo estranhamento, pois parece segmentar e tentar separar ou distanciar os gêneros, situação que nunca cogitei, mas que talvez não esteja claro o suficiente para um propósito maior: unir as pessoas.

Quando falamos de mulheres no aikido, estamos falando também da nossa relação com os homens, de como é treinar, de como os respeitamos, de como lidamos com vários aspectos que provavelmente eles não experimentem ou vivenciem. E quando conseguimos dialogar com corpos e pessoas tão diferentes de nós, nossa prática evolui. Mas para que isso aconteça é necessário NOS conhecermos primeiro; sabermos de fato quem somos, nos entendermos enquanto mulheres e só então estaremos, de certa forma, prontas para interagir com o outro.

Me questionei por um tempo: “e se fosse um homem falando sobre mulheres? E se fosse um homem querendo ouvir mulheres? Este blog/ nome seria interpretado da mesma maneira? Por homens e mulheres?”

Por que soa tão estranho uma mulher dar prioridade e querer falar de outra mulher? Querer se reconhecer em outra praticante? Encontrar formas e pontos em comum com mulheres que treinam, que passam pelas mesmas situações que eu?

Admirar, pesquisar e divulgar histórias de mulheres que me inspiram ou que caminham comigo, me torna sexista?

Isso tudo faz parte do universo feminino, e é pra lá que eu preciso ir quando me cobro no tatame atitudes sempre masculinas da minha parte, mas que me machucam, me prejudicam e não me favorecem.

Quem eu sou no aikido? Uma tentativa de cópia masculina ou uma mulher treinando, pesquisando e enfrentando todas as problemáticas físicas, hormonais, espirituais e pessoais?

É nessa vibração que pretendo caminhar com meus parceiros de treino, pois pra mim nunca fez diferença praticar com homens, mulheres, iniciantes ou graduados. O respeito, a harmonia e o diálogo devem sempre permear meus movimentos no aikido. Mas, de vez em quando, gosto de enxergar essa arte marcial por uma perspectiva feminina que me motive também.

Me conectar com outras mulheres, ouvir seus relatos e acontecimentos, me solidarizar com quem já passou por situações difíceis (dentro e fora do tatame), faz parte desse olhar sobre o feminino. Não é porque nunca acontece comigo que não acontece com a outra e quero estar lá para fortalecer e amparar quem precisa de apoio pra continuar.

Treinar arte marcial de contato pode parecer desconfortável para muitas mulheres, principalmente se ela encontrar um ambiente totalmente masculino, sem acolhimento ou menos receptível. Quando nos aventuramos nesse mundo, precisamos respeitar nossos aspectos físicos e aprender com nossas vulnerabilidades.

E só saberemos fazer isso, sem sofrimento, quando “falar sobre mulheres” for sempre positivo e enriquecedor para a prática do aikido.

Boa semana a todes! 🙂

4 comentários em “Um olhar sobre o feminino”

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