Entrevista María Lucia Correa

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Uma mulher que admiro muito no aikido é Yoko Okamoto sensei. Assisto vídeos de várias outras mulheres aikidokas, faço pesquisas, participo de seminários, mas sempre que me lembro de uma referência feminina no tatame, é ela quem me vem sempre na memória. Gosto do estilo, da postura, da história dela no aikido, suas referências e sua técnica.

No início da minha prática como aikidoka, uma das minhas parceiras de tatame, Andrea Zanetti, me falava bastante sobre Okamoto sensei. E quando ela voltou de uma experiência de treino no Japão e de como tinha sido incrível treinar com ela e principalmente com as alunas de Yoko Okamoto, eu tinha uma única certeza: de que iria para Kyoto realizar pelo menos um treino com Okamoto sensei quando eu visitasse o Japão.

Minha amiga relatou também que as alunas de Okamoto eram excelentes aikidokas; praticavam um aikido firme, consistente, forte e dinâmico, e ao mesmo tempo fluido, harmonioso, generoso. E que uma dessas alunas tinha sido especial: a María. Então, quando visitei o Aikido Kyoto em julho de 2018, já tinha na minha cabeça que “precisava treinar com a María”. 😉

Essa minha caminhada no aikido vai muito além de conhecer os mestres e sua técnica em si; me espelho com frequência nos seus alunos; no respeito que eles tem para com os senseis, sua dedicação, as dificuldades ou facilidades, sua gratidão. Tudo isso é inspirador pra mim.

Previamente já havia enviado um email para o dojo avisando sobre a data da minha visita. Chego numa 3a feira muito, muito quente de verão em Kyoto: 33 graus às 9hs da manhã! A própria sensei abre a porta do dojo – quase desmaio! Não sei se de emoção ou calor mesmo; faço rapidamente minha inscrição com um dos alunos e vou me trocar. O vestiário estreito parece pequeno diante do número de mulheres que começam a entrar para colocar o dogi. Muitas estrangeiras. Vou para o tatame me alongar. A sensei já está lá, realizando seu alongamento, aquecendo o corpo, observando todos se acomodando no tatame. Nesse momento dá pra perceber quem são seus alunos: eles estão fixos nela; sempre atentos e de prontidão caso ela peça alguma coisa. E então, uma aikidoka com tranças no cabelo se ajoelha no tatame, e neste momento eu quase posso adivinhar de que poderia ser ela: María! Mas ainda não tinha certeza…

A aula se inicia: exercícios de alongamento fazem parte de bons minutos da prática e logo dão sequência aos exercícios em dupla. Minha parceira é uma japonesa baixinha incrivelmente ágil e em perfeita harmonia comigo, me conduzindo com elegância naquilo que eu não tinha compreendido inicialmente. Trocamos de parceiro e então a aikidoka com tranças no cabelo me chama para o próximo exercício. “Guiako hanmi – kokyu nage”. Eu não desvio minha atenção dela: os movimentos são firmes; a postura perfeita, correta. Eu tentando me encontrar no treino – sensei Okamoto é circular, propõe o desequilíbrio em vários movimentos numa dinâmica fluida do trabalho com o corpo. E então, nessa nossa relação sensorial do aikido, tomo coragem e pergunto se ela é a María! Ela diz que sim! 🙂 Mas sei que alí não é um local pra conversar e continuamos nossa prática.

Final de treino: realizamos a faxina no tatame e finalmente consigo conversar um pouco com a María! Digo que sou brasileira, que estamos felizes com a vinda da sensei para o Brasil, ela diz que estão ansiosas pela visita, agradece minha presença e nos despedimos rapidamente. Antes de ir embora, converso brevemente com a sensei Okamoto; ela pergunta se sou de São Paulo, onde pratico aikido e nos despedimos.

Nós que treinamos aikido não percebemos, na maioria das vezes, o poder que temos em mudar o curso do caminho de muitos praticantes: um gesto, uma atitude, a postura, dedicação, atenção, tudo isso transforma a nossa trajetória ou a do outro. E a María, sem me dizer nada naquele dia no tatame, me deu o exemplo da verdadeira disciplina no aikido e de como foi bom estar alí rodeada de meninas incríveis!

Deixo o dojo de Kyoto feliz por ter treinado ali com tantas mulheres, com Okamoto e, claro, com a María! 🙂

Alguns meses depois, eu a encontro novamente no tatame, aqui no Brasil. Porém, durante o seminário, ela foi bastante disputada como parceira e infelizmente não conseguimos treinar juntas.

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Quase 2 anos depois, agora em 2020, entro em contato e ela gentilmente aceita me dar esta entrevista, cujo texto original, em espanhol, está logo abaixo da minha versão em português. Agradeço de coração a colaboração dela, e seu tempo dedicado a me enviar um breve relato da sua trajetória no aikido. “Domo arigatou, María! Espero encontrá-la em breve!”

Um agradecimento especialmente a minha amiga e parceira de tatame, Manuela Aranguibel (Restaurante Budare) que me ajudou na tradução de uma parte deste texto e salvou meu “portunhol” rsrs. “Obrigada, Manu!”

Entrevista com María Lucia Correa

Maria Lucía Correa, é colombiana, nasceu em Bucaramanga mas viveu por muito tempo em Bogotá e mora em Kyoto há 16 anos. Estudou psicanálise na Colômbia (Bogotá), e foi para o Japão em 2004 fazer doutorado em Literatura Japonesa Contemporânea. Atualmente, trabalha como professora universitária em Kyoto, ensinando cultura e literatura japonesa, entre outras atividades. Pratica aikido no Aikido Kyoto, com Yoko Okamoto sensei e Chris Mulligan sensei há 16 anos.

1. Como conheceu o aikido? Há quanto tempo pratica e qual a sua graduação?

Comecei a praticar aikido em 2000, há 20 anos! Um amigo me levou para assistir a uma prática de aikido no dojo do sensei German Santamaría e desde então não parei de praticar. Atualmente sou terceiro dan, fiz o exame há seis anos atrás, quando meu filho tinha um ano de idade.

2. Você praticou aikido estando grávida? Quais foram as dificuldades?

Sim, pratiquei durante toda a minha gravidez. Isto só foi possível porque o Aikido Kyoto naquele momento era um dojo relativamente pequeno. Participava das aulas dos iniciantes e ajudava nas aulas das crianças. Minha gravidez não foi fácil, então a prática sempre foi muito suave, e a exigência que eu tinha era mínima. Voltei ao tatame 5 meses depois que meu filho nasceu e agora nós dois praticamos aikido!

3. Aikido Kyoto oferece aulas para crianças?

Sim, no Aikido Kyoto tem várias aulas para crianças: uma classe para os menorzinhos, a partir de 4 anos, duas aulas para crianças do ensino fundamental (uma delas é imersão em inglês) e duas classes para adolescentes. No Japão existem muitas crianças que praticam artes marciais. E, embora nem todos continuem quando são adolescentes, alguns o fazem e é muito interessante ver seu processo desde quando são pequenos até serem jovens kohai.

4. Já praticou alguma outra arte marcial ou ainda pratica?

No dojo do sensei Santamaría pratiquei iaido por quatro anos, mas parei de praticar quando vim para o Japão.

5. Você realiza outra atividade física, ou meditação, para ter uma melhor performance no aikido? 

Acho que faço o mesmo que muitos outros aikidokas: alongamento diário, manutenção com massagens, ofurô (banho quente), adesivos medicinais (salompas) … Quando tenho lesões ou rigidez muscular, recebo massagens ou tratamentos de osteopatias.

6. Em que momento resolveu morar no Japão e por qual motivo escolheu Kyoto?

Vim morar no Japão em 2004, para fazer um doutorado em literatura japonesa na Universidade de Kyoto. Eu queria morar em uma cidade pequena, perto da minha “família adotiva” que mora na cidade de Matsué, e como a universidade ofereceu um programa adequado aos meus interesses, não hesitei nem por um momento.

7. Como sabemos, você é aluna de Yoko Okamoto sensei. Há quanto tempo você é aluna dela, como a conheceu e por que a escolheu como sua sensei?

Sou aluna de Yoko sensei há 16 anos. Quando cheguei a Kyoto, procurei imediatamente um dojo para praticar. Logo, encontrei um grupo de aikido que treinava no Centro de Budo em Kyoto à noite (durante o dia eu tinha aulas na universidade). Por acaso, Yoko sensei também ensinava lá nas manhãs de sexta-feira (Yoko sensei havia retornado ao Japão um ano antes e o Nishijin Dojo ainda não existia), então, nas férias, fui para a aula dela e, quando a vi, ela era muito impressionante, uma sensei tão jovem, tão forte e com tanto carisma. Por cerca de dois meses, participei paralelamente de algumas aulas do Aikido Kyoto e algumas do outro grupo, até que um dia Yoko sensei me disse: “Se você está aqui e ali, você não está aqui nem ali“. Isso mudou a minha vida! A partir daquele dia, comecei a segui-la como aluna, praticando no dojo cinco ou seis vezes por semana. Também fiz parte do programa “Kenshusei” (formação de instrutores) por dois anos e agora faço parte da equipe de assistentes de ensino do dojo.

8. Como é sua relação com Yoko Okamoto sensei: você participa, de alguma maneira, das rotinas do Dojo Aikido Kyoto?

Somos vários alunos de Yoko sensei que estão com ela desde o início do Aikido Kyoto, e naturalmente adquirimos responsabilidades e papéis na operação do dojo. Todos os membros do Aikido Kyoto participam da limpeza e organização do dojo. Os mais velhos também são responsáveis ​​por auxiliar Yoko sensei e Chris sensei na condução das aulas, quando eles estão fora ou quando há aulas simultâneas em diferentes dojos.

9. Você esteve no Brasil em 2018 junto com a sensei Okamoto para o primeiro seminário dela em nosso país. Você costuma acompanhá-la habitualmente fora do Japão?

Não, existem vários alunos do grupo que a acompanham em diferentes viagens. Em sua turnê pela América do Sul, foi a primeira vez que eu a acompanhei fora do Japão.

10. Como foi a experiência em treinar no Brasil e quais suas observações a respeito dos aikidokas brasileiros?

O seminário no Brasil foi uma experiência maravilhosa. Como muitos colombianos, sempre tive um fascínio pelo Brasil e era meu desejo conhecer o país em algum momento. Mas ter sido capaz de conhecer o Brasil como aikidoka foi ainda melhor do que eu esperava. É difícil dizer algo sobre todos os aikidokas brasileiros, tanto que eu só pude praticar com as pessoas que compareceram ao evento de Yoko sensei, mas minha impressão sobre aqueles que estavam lá é que o interesse no aikido transcende as fronteiras dos dojos ou do grupos de praticantes. No tatame, havia muitas pessoas de diferentes correntes de aikido, todas praticando com todas as graduações e apresentações. Tive a impressão de que era uma prática muito honesta e sincera. Mas também fiquei impressionada com o nível bem alto da prática. Não apenas pelo fato de haver pessoas que praticavam ou praticaram várias vezes no Hombu dojo, ou com outros mestres japoneses ao redor do mundo, mas porque a história do aikido no Brasil é muito longa e variada. Você sente o peso dessa história em dojos como a APA e vê como a tradição está passando para outros novos dojos que surgiram a partir daí. Ter praticado aikido no Brasil foi uma injeção de energia! Voltamos ao Japão muito, muito felizes. Eu gostaria que as garotas aikidokas saíssem mais, pois também existem praticantes muito bons!

11. Quais são os outros mestres de aikido você pesquisa ou acompanha mais?

Devido à influência de Yoko sensei, sigo os professores mais próximos dela: Yasuno shihan e Miyamoto shihan, que vêm anualmente dar seminários em Kyoto, ou Horii shihan, que está fisicamente mais próximo porque seu dojo está em Sanda e temos a sorte de poder frequentar seus seminários com freqüência. Também professores mais jovens como Kumazawa sensei, em Tokyo.

12. Você já praticou aikido no Hombu Dojo? Conte como foi essa experiência.

Sim, pratiquei no Hombu várias vezes, mas desde que meu filho nasceu, tornou-se mais difícil deixar a família por um longo tempo e viajar para Tokyo para praticar. O Hombu é sem dúvida um marco. Ao praticar no Hombu, você volta à base do aikido, ao local onde a forma básica do que fazemos em nossos dojos é preservada. A atmosfera é muito especial, porque há um equilíbrio entre tensão, alegria, solenidade e harmonia.

13. Você sentiu diferença em treinar na Colombia e treinar no Japão no que diz respeito a disciplina dentro do dojo?

Em geral, há algumas coisas que fazem parte da cultura japonesa que se reproduzem em dojos no Japão com muita frequência e são mais difíceis de encontrar fora. Por exemplo, às vezes o número de praticantes que não conseguem se sentar em seiza é surpreendente. Mas, pode-se dizer que isso seja “natural” no Japão, já que as pessoas também se sentam em seiza em outros lugares e ocasiões … Outra diferença com a grande maioria dos países é o volume de conversa durante a prática. No Hombu, como em nosso dojo, a maior parte do tempo praticamos em silêncio. Obviamente, isso não significa que exista um código restrito de silêncio! Simplesmente ouvir em silêncio é uma prática mais generalizada aqui no Japão do que em outros lugares. Mas, em geral, nos lugares onde pratiquei, as pessoas compartilham a mesma paixão e seriedade da prática.

14. Por ser mulher, já teve alguma dificuldade durante a sua prática no aikido?

Ao longo dos anos, as dificuldades que tive na prática mudaram. Quando eu era mais jovem e minha prática era mais difícil, a maior dificuldade era não ter um corpo tão grande, musculoso ou tão forte quanto a maioria dos meus parceiros. É claro que, ao longo dos anos de prática, a capacidade física, a força muscular e a estabilidade do centro (tanden) aumentam, e essa preocupação passa para um segundo plano. Além disso, a prática agressiva não é mais tão interessante, e ter um corpo pequeno se torna, de certa forma, uma vantagem em continuar tomando ukemi por muitos anos. Mas algo que vivencio agora, após vários anos de prática, é a necessidade que muitos parceiros masculinos têm de “explicar” ou “ensinar” para as meninas, mesmo quando elas são do alto escalão. Acredito que essa seja, por um lado, a expressão da diferença na posição social de homens e mulheres. Mas também acho que é a expressão de uma preocupação (mais arraigada entre homens do que mulheres) sobre a eficácia do aikido. Pessoalmente, vejo o aikido mais como uma forma honesta de resolução de conflitos (um diálogo) do que como uma série de ataques e contra-ataques eficazes. Conheço homens e mulheres interessados ​​em fazer isso na prática diária, e esse é o ponto em que não acho que exista uma diferença de gênero.

15. Você sente diferença em treinar com mulheres ou homens?

Acho que isso não é definitivo. Existem mulheres com quem eu acho muito difícil praticar (por exemplo, aquelas que treinam com medo de realizar um ataque sincero) e homens com quem é muito fácil praticar (por exemplo, aqueles que são sensíveis ao movimento ou têm um ukemi flexível e fluido, rápido). Eu não acho que isso tenha a ver com tamanho, força ou gênero … aikido é um diálogo. Pode ser um diálogo suave ou forte: isso não importa. O que importa é que exista comunicação. Se o parceiro fala e fala e fala sem parar, mas seus ouvidos estão fechados e não quer escutar, não importa se é homem ou mulher, o diálogo não acontecerá.

16. De um modo geral, as mulheres estão em menor número nas artes marciais. Você concorda com isso?

Não tenho certeza disso … Em nosso dojo existem tantas mulheres quanto homens, e as mulheres, em geral, praticam de forma mais consistente que os homens. Não sei se é porque o nosso Dojo-cho é a Yoko sensei, mas a presença de mulheres na minha vida como aikidoka tem sido constante. Tive a sorte de ter sempais no dojo ou visitantes muito talentosas que enriqueceram minha prática e a de meus colegas no dojo. Provavelmente, existem mais homens do que mulheres nas linhas de frente do aikido (mais homens sensei, homens mais reconhecidos), mas não existem poucas mulheres que praticam. Espero que as mulheres reconhecidas por seu talento aumentem! Além disso, há uma nova geração de mulheres que ensinam e são ótimas praticantes. É preciso acompanhar essas professoras!

17. Estamos passando por uma crise mundial (corona vírus). Como você esta passando por isso? Você tem realizado alguma prática de aikido individual? Na sua opinião como será o retorno aos treinos?

Todos os dojos de aikido em Kyoto fecharam no início de abril e as atividades cessaram completamente até o final de maio. No Aikido Kyoto, todos os anos em junho, há um grande seminário de verão, e professores do Hombu dojo, ou professores do alto escalão que trabalham em outras partes do mundo são convidados. É o evento mais importante do dojo. Este ano, pela primeira vez em 16 anos de existência do Aikido Kyoto, não será possível. Parar a rotina de prática tem sido muito difícil, mas, felizmente, sob a direção de Yoko sensei, realizamos um novo tipo de treinamento, de um tipo diferente (sem contato, à distância, com máscaras, com processos de desinfecção e limpeza, etc.) Realizamos exercícios de fortalecimento do centro, abdominais, exercícios individuais de armas (bokken e jo), kata de jo em dupla, exercícios abdominais, exercícios de alongamento, exercícios para fortalecer o quadril e conseguir uma postura mais firme, exercícios individuais de ukemi, etc. Por duas semanas, praticamos novamente, em grupos muito pequenos, no dojo, embora ainda não tenhamos começado a prática em duplas. Eventualmente, teremos que voltar à prática normal, acho, mas não tenho certeza de como será esse retorno … De qualquer forma, a vida após o corona continuará, e o mesmo acontecerá com o aikido.

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Gostaria de deixar suas observações finais?

Muito obrigado pelo convite para falar sobre aikido. Estou certa de que, apesar das dificuldades que o corona vírus trouxe à nossa prática, em algum momento no futuro nos encontraremos novamente no tatame. Até lá, vamos manter vivo o espírito do aikido!

Aikido Kyoto

Versão original em espanholEntrevista Maria Lúcia Correa

Maria Lucía Correa, es colombiana de Bucaramanga y ha vivido en Kyoto por 16 años. Estudió psicoanálisis en Colombia (Bogotá) y se fue a Japón en 2004 para hacer un doctorado en literatura japonesa contemporánea. Actualmente trabaja como profesora universitaria en Kyoto, enseñando cultura y literatura japonesa, entre otras actividades. Practica aikido en Aikido Kyoto, con Yoko Okamoto sensei y Chris Mulligan sensei durante 16 años.

1. ¿Cómo conoció el aikido? ¿Hace cuánto tiempo practica? ¿Cuál es su
graduación?

Empecé a practicar aikido em el año 2000, ¡hace 20 años! Mi amigo me llevó a ver uma práctica de aikido em el dojo de sensei German Santamaría y desde entonces no he dejado de practicar. Actualmente soy tercer dan, tomé mi examen hace seis años, cuando mi hijo tenía un año.

2. ¿Practicaste aikido mientras estabas embarazada?

Sí, practiqué durante todo mi embarazo. Esto fue posible gracias a que Aikido Kyoto era em esse momento um dojo relativamente pequeño… Participé em las clases de principiantes y ayudaba a enseñar las clases de niños. Mi embarazo no fue un embarazo fácil, por lo que la práctica fue siempre muy suave, y la exigencia que tuve fue mínima. Regresé al tatame cinco meses después de que nació mi hijo, y ahora los dos practicamos aikido!

3. ¿Aikido Kyoto ofrece clases para niños?

Sí, em Aikido Kyoto hay varias clases para niños. Uma clase para los más pequeños, desde 4 años, dos clases para niños de escuela primaria (una de ellas de immersión de ingles), dos clases para adolescentes. En Japón hay muchos niños que practican artes marciales. Y aunque no todos contínuan cuando son adolescentes, algunos sí lo hacen y es muy interessante ver su processo desde que son pequeños hasta que son jóvenes kohai.

4. ¿Ya practicó alguna otra arte marcial? ¿Todavía la practica?

En el dojo de Santamaría sensei practiqué iaido durante cuatro años pero dejé de practicar cuando vine a Japón.

5. ¿De qué forma prepara su cuerpo para tener una mejor performance en el
aikido? ¿Practica otra actividad física, meditación, etc.?

Creo que hago lo mismo que muchos otros aikidokas: estiramiento diario, mantenimiento com masajes, ofuro (baño caliente),  parches medicinales… Cuando tengo lesiones o endurecimeintos, recibo massajes o tratamentos osteopáticos.

6.¿En qué momento decidió vivir en Japón? ¿Qué la motivó a elegir la ciudad de
Kyoto?

Vine a vivir a Japón em 2004, a hacer um doctorado em literatura japonesa em la Universidad de Kyoto. Quería vivir em uma ciudad pequena, cerca de mi “família adoptiva” que vive em la ciudad de Matsué, y como la universidad ofrecía um programa que se ajustaba a mis interesses, no lo dudé ni um momento.

7. ¿Sabemos que es alumna de Yoko Okamoto sensei. ¿Hace cuánto tiempo es su
alumna? ¿Cómo la conoció? ¿Por qué la escogió como sensei?

Soy alumna de Yoko sensei desde hace 16 años. Cuando llegué a Kyoto, busqué imediatamente um dojo para practicar. Pronto, encontré um grupo de aikido que hacía entrenamientos em el Budo Center de Kyoto en las noches (durante el día yo tenía clases em la universidad). Por casualidade, Yoko sensei también enseñaba allí los viernes em la mañana (Yoko sensei había regressado a Japón um año antes y aún no existía el Dojo Nishijin), así es que em las vacaciones fui a su classe y desde que la vi me pareció muy impressionante, uma sensei tan joven, tan fuerte y com tanto carisma. Durante unos dos meses asistí em paralelo a algunas clases de Aikido Kyoto y algunas clases em el outro grupo, hasta que um día Yoko sensei me dijo “Si estás aqui y allá, no estás ni aqui ni allá”. ¡Eso me cambió la vida! Desde esse día empecé a seguirla como su estudiante, practicando em el dojo cinco o seis veces a la semana. También hice parte del programa de “Kenshusei” (estudiante em treino) durante dos años y ahora hago parte del equipo de asistentes de enseñanza del dojo.

8. ¿Cómo es su relación con Yoko Okamoto sensei: ¿participa, de alguna forma,
de las rutinas del Dojo Aikido Kyoto?

Somos vários los alunos de Yoko sensei que estamos com ella desde el comienzo de Aikido Kyoto, y naturalmente hemos ido adquiriendo responsabilidades y roles dentro del funcionamento del dojo. Todos los membros de Aikido Kyoto participamos de las labores de limpeza y organización del dojo. Los alunos más antigos además tenemos a cargo assistir a Yoko sensei y a Chris sensei com la enseñanza de las clases, cuando ellos están fuera o cuando hay clases simultâneas em diferentes dojos.

9. ¿Estuvo en Brasil en el 2018 junto con la sensei Okamoto para su primer
seminario en nuestro pais. ¿Acostumbra acompañarla fuera de Japón?

No, hay vários estudiantes del dojo que la acompañan em los diferentes viajes. Em su tour por Suramérica, era la primera vez que la acompañaba fuera de Japón.

10. ¿Comente qué le pareció entrenar en Brasil. ¿Cuáles son sus observaciones al
respecto de los aikidokas brasileros?

El seminário em Brasil fue uma experiência maravillosa. Como muchos colombianos, desde siempre tuve uma fascinación por Brasil y era mi deseo conocer el país em algún momento. Pero haber podido conocer Brasil como aikidoka fue aun mejor de lo que esperaba. Es difícil decir algo sobre todos los aikidokas brasileiros, em tanto que sólo pude practicar com la gente que asistió al evento de Yoko sensei, pero mi impresión de quienes estuvieron allí es que el interés por el aikido mismo trasciende las fronteras de los dojos o de los grupos de práctica. Em el tatame había mucha gente de distintas corrientes de aikido, todos practicando com toda seriedade y entrega. Tuve la impresión de que era uma práctica muy honesta y sincera. Pero también me impresionó el muy alto nivel de la práctica. No sólo por el hecho de que hubiera gente que practica o há practicado varias veces em Hombu dojo, o com otros maestros japoneses alrededor del mundo, sino porque la historia misma del aikido em Brasil es muy larga y variada. Se siente el peso de esa histoira em dojos como APA, y se ve como la tradición va passando a otros nuevos dojos que han surgido de allí. ¡Haber practicado aikido em Brasil fue uma inyección de energia! Regresamos a Japón muy, muy felices.

Me gustaría que las chicas aikidokas salieran más al frente, pues hay muy buenas practicantes allí también!

11. ¿Con cuáles otros maestros de aikido estudia y/o acompaña con frecuencia?pesquisa ou acompanha mais?

Por la influencia de Yoko sensei, sigo a los maestros que son más cercanos a ella: Yasuno shihan y Miyamoto shihan, que vienen anualmente a dictar seminários a Kyoto, o Horii shihan quien está más cerca fisicamente pues su dojo está em Sanda y tenemos la fortuna de poder assistir a sus seminários com frecuencia. También maestras jovenes como Kumazawa sensei, em Tokyo.

12. ¿Yá practicó aikido en el Hombu Dojo? Cuente cómo fue su experiencia.

Sí, he practicado em Hombu varias veces, pero desde que nació mi hijo se há hecho más difícil dejar la família por um largo rato y viajar a Tokyo a practicar… Hombu es sin lugar a dudas um lugar de referencia. Al practicar em Hombu se vuelve a la base del aikido, al lugar donde se conserva la forma básica de lo que hacemos em nuestros dojos. El ambiente es muy especial, porque hay balance entre tensión, alegría, solemnidad y armonía.

13. ¿Sentiste una diferencia en el entrenamiento en Colombia y en Japón con respecto a la disciplina dentro del dojo?

En general, hay algunas cosas que hacen parte de la cultura japonesa que se reproducen en los dojos en Japón con mucha frecuencia y son más dificiles de encontrar afuera. Por ejemplo, algunas veces es sorprendente el numero de practicantes que no pueden sentarse en seiza. Pero bueno, puede decirse que esto es “natural” en Japon puesto que la gente se sienta también en seiza en otros lugares y ocasiones…Otra diferencia con la gran mayoria de paises es el volumen de la conversación durante la práctica. En Hombu Dojo, como en nuestro dojo, la mayoría del tiempo se practica enm silencio. Por supuesto, esto no significa que haya un estricto codigo de silencio. Simplesmente, escuchar en silencio es una práctica más generalizada aqui em Japón que en otros lugares… Pero, en general, en los lugares donde he practicado la gente comparte la misma pasión y seriedad de la práctica.

14. ¿Ya tuvo alguna dificultad durante su práctica de aikido por ser mujer?

Com los años, las dificultades que he tenido em la práctica han cambiado. Cuando era más joven y mi práctica era más aguerrida, la mayor dificultad era no tener um cuerpo tan grande, tan musculoso o tan fuerte como la mayoría de mis compañeros hombres. Por supuesto, com los años de práctica, la capacidade física, la fuerza muscular y la estabilidade del centro (tándem) aumentan, y esta preocupación passa a um segundo lugar. Además, ya no es tan interessante la práctica agresiva, y tener um cuerpo pequeno se convierte, por el contrario, em uma ventaja para poder seguir tomando ukemi durante muchos años. Pero algo que experimento incluso ahora, después de vários años de práctica, es la necesidad que tienen muchos compañeros hombres de “explicar” o de “enseñar” a las chicas, incluso cuando son de altos rangos. Yo creo que esto es, por uma parte, la expresión de la diferencia em la posición social de hombres y mujeres. Pero también creo que es la expresión de uma preocupación (más arraigada entre los hombres que entre las mujeres) sobre la efectividad del aikido. Yo, personalmente, veo el aikido más como uma forma honesta de resolución de conflitos (um diálogo), que como uma serie de ataques y contraataques efectivos. Conozco tanto hombres como mujeres interessados em buscar esto em la práctica diaria, y esse es el punto em el que no siento que haya diferencia de género.

15. ¿Siente alguna diferencia al entrenar con mujeres o con hombres?

No creo que esto sea definitivo. Hay mujeres com las que encuentro mucha dificultad em practicar (por ejemplo, quienes entrenan com miedo de lanzar um ataque honesto), y hombres com los que es muy fácil practicar (por ejemplo, quienes son sensibles al movimento, o tienen um ukemi flexible y rápido). No creo que esto tenga que ver ni com el tamaño, ni com la fuerza, ni com el género… Aikido es um diálogo. Puede ser um diálogo suave o um diálogo fuerte: eso no importa. Lo que importa es que haya comunicación. Si el compañero habla y habla y habla sin parar pero tiene los oidos cerrados y no quiere escuchar, no importa que sea mujer u hombre, el diálogo no va a ocurrir.

16. En general, hay menos mujeres practicando artes marciales. ¿Está de acuerdo?
Comente.

No estoy segura de eso… Em nuestro dojo hay tantas mujeres como hombres y las mujeres, em general, practican com más constância que los hombres. No sé si eso se deba a que nuestra Dojo-cho es Yoko sensei, pero la presencia de mujeres em mi vida como aikidoka há sido constante. He tenido la fortuna de tener em el dojo Sempais o visitantes muy talentosas que han enriquecido mi práctica y la de mis compañeros de dojo.

Probablemente hay más hombres que mujeres em las primeras filas del aikido (más sensei hombres, más hombres reconocidos), pero no son pocas las mujeres que practican. ¡Ojalá vayan aumentando las mujeres reconocidas por su talento! Además, hay uma nueva generación de mujeres que enseñan y que son magnífics practicantes. ¡Hay que seguirle la pista a estas maestras!

17. Estamos pasando por una crisis mundial (corona virus). ¿Cómo se encuentra en
este momento? ¿Realiza alguna práctica de aikido? ¿Cómo será, en su opinión,
el regreso a los entrenamientos?

Todos los dojos de Aikido Kyoto cerraron a comienzos de abril y las atividades cesaron por completo hasta finales de mayo. Em Aikido Kyoto, todos los años em junio se hace um seminário de verano grande, y se invitan a maestros de Hombu dojo, o maestros de altos rangos que trabajan em otras partes del mundo. Es el evento más importante del dojo. Este año, por primera vez em los 16 años de vida de Aikido Kyoto, no se pudo realizar. Parar la cotidianidad de la práctica há sido muy duro, pero afortunadamente, bajo la dirección de Yoko sensei, hemos hecho um nuevo tipo de entrenamiento, de um tipo diferente (sin contacto, a distancia, com máscaras, com processos de desinfección y limpeza, etc.). Hemos hecho prácticas de fortalecimento del centro, abdominales, ejercicios individuales de armas (bokken y jo), kata de jo em parejas, ejercicios abdominales, ejercicios de estiramiento, ejercicios para fortalecer la cadera y conseguir uma postura más firme, ejercicios individuales de ukemi, etc. Desde hace dos semanas estamos practicando de nuevo, em grupos muy reducidos, em el dojo, aunque todavia no hemos empezado la práctica en pareja. Eventualmente tendremos que retornar a la práctica normal, creo yo, pero no creo que podamos saber com certeza como será este retorno…

Em cualquier caso, la vida después de corona vírus seguirá, y también así será com el aikido. 

Por favor, deje sus observaciones finales

Muchas gracias por la invitación a hablar de aikido. Estoy segura de que, a pesar de las dificultades que el corona vírus há traído a nuestra práctica, em algún momento em el futuro nos volveremos a encontrar sobre el tatame. ¡Hasta entonces, mantenhamos el espíritu del aikido vivo!

4 comentários em “Entrevista María Lucia Correa”

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