Preparativos para a viagem ao Japão

Tóquio

2a Parte – Preparação para o Japão

Ir para o Japão não parecia ser uma tarefa fácil. E não foi mesmo! Muitas pessoas me disseram que a maioria dos japoneses não falavam inglês e que seria muito difícil a comunicação por lá, fora a alimentação. Mesmo assim, resolvi que iria por conta própria: sem agência, sem guias. Na cara e na coragem! De fato, muitos japoneses não falam inglês. Mas, de um modo geral, quando cheguei lá, em 2018, percebi que o Japão estava se preocupando com isso por causa das Olimpíadas de 2020.

Estudei um pouco de japonês: só a estrutura da língua mesmo e algumas frases apenas para que minhas abordagens de “socorro” fossem simpáticas! E confesso que ajudou um pouco. 😉

Estabeleci 2 coisas: que decididamente não ficaria em hotel – alugaria uma casa/apto pelo Airbnb, e que teria que ser perto do Hombu dojo, para que eu pudesse ir a pé para os treinos, afinal, meu filho e marido embarcariam comigo nessa aventura e como os treinos da manhã acontecem bem cedo, daria para treinar, voltar rapidinho e ainda sair com eles por Tóquio! E deu super certo!

Passagem aérea x escala

Existem vária maneiras de ir para o Japão por diferentes companhias aéreas. Como seria minha primeira vez lá e não sabia ao certo como seria o trajeto, resolvi não arriscar e optei pelo vôo e pela companhia que tinha a menor escala. Fui pela Emirates. A passagem não era a mais barata, mas pude parcelar em 8x.

Foram 13hs até Dubai e 3 horas e meia de espera até pegarmos o vôo para Tóquio. E mais 13hs até Narita, aeroporto de Tóquio. É bem cansativo! Pra mim então foi ruim, por causa de uma lesão na parte de trás da minha coxa (uma semana antes de viajar me machuquei!) – incomodava bastante ficar sentada! Então passei a 2a parte da viagem no corredor do avião, caminhando e me alongando! 😦

Saímos do Brasil numa 6a feira à noite e e chegamos em Tóquio no domingo a noite.

Airbnb

Encontrando o local ideal para hospedagem

Depois de comprar as passagens aéreas, fui atrás de um local para ficarmos. A maioria dos hotéis no Japão só aceitam até 2 hóspedes por quarto; estando em 3 pessoas eu teria que pagar por mais um quarto e então ficaria bem mais caro para a nossa família. Por isso optamos pelo Airbnb.

Peguei o endereço do Hombu Dojo e concentrei minha pesquisa no mesmo bairro. Encontrei no site da Airbnb uma espécie de “quitinete” onde sala, cozinha e quarto eram integrados e havia um banheiro e um local para ducha. Bem pequeno mesmo. Mas ideal para 3 pessoas e muito próximo ao dojo e ao lado da estação de metrô Higashi-shinjuku. Além disso, dava pra cozinhar se eu quisesse, fazer o café da manhã no apê, e até lavar os dogis, pois tinha máquina de lavar roupas e até ferro de passar! Fechei uma diária a mais, pois as diárias do Airbnb vencem as 10hs da manhã e a maioria dos vôos que partem de Tóquio para o Brasil são à noite e precisaríamos de um local para as malas e para descansar durante esse intervalo.

Sei que existe um serviço de “carregador de mala”, acho que se chama “Takkyu-bin”, que trás as suas malas do aeroporto até o local onde você ficará e vice versa. Mas de fato não sei como funciona direito e também não sei se eles chegariam antes da gente ao destino, e por se tratar de um apto alugado, preferi não correr o risco de “encontrar minhas malas na rua”! Quem tiver uma experiência com esse serviço, ficaria agradecida se me contassem como funciona!

O contato com o proprietário do apto foi em inglês e muito fácil. Porém em 2018, saíram algumas exigências do governo japonês em relação a locação/ estadias para curtos períodos e agora você é obrigada a enviar as imagens do seu passaporte para o proprietário do imóvel que irá alugar.

Gostei bastante do local, da região e do atendimento dele e foi uma experiência excelente viver por um breve momento como os japoneses!

O transporte que escolhemos do aeroporto de Narita para Tóquio foi o Limousine Bus. Me disseram que a vista do percurso era bonita, não precisaria ficar empurrando as malas e era bem fácil de achar o terminal/ guichê no aeroporto. O trajeto dura cerca de 1h, dependendo do trânsito e você já pode ir se acostumando com a visão cosmopolita de Tóquio! Quando o ônibus chega na cidade, ele para em alguns lugares. Você precisa saber onde irá descer para poderem retirar suas malas de maneira organizada. Eles avisam os nomes/ locais das paradas durante o percurso.

Você pode optar pelo Narita Express (N´EX), um trem que vai para a estação central de Shinjuku, e lá pode pegar o metrô para o local em que ficará hospedado. Custa mais caro, mas é um pouco mais rápido também. Se você está com horário apertado, é a forma mais indicada para se locomover.

Kyoto Dojo – Okamoto sensei

A minha idéia era realizar um treino no Dojo da sensei Okamoto, em Kyoto, então nessa cidade optei por uma casa compartilhada e foi uma experiência in-crí-vel!

Tanto em Kyoto como outras cidades do Japão que visitamos (Nagoya, Nara, Hiroshima) o meio de transporte que usamos foi o ônibus, pois as linhas de metrô são poucas. Em todos os pontos você sabe quais ônibus passam ali, quanto tempo falta para o seu ônibus chegar e se ele já está próximo. Tudo visível no luminoso da parada de ônibus. Pontualmente! 🙂

Se for ficar 2 ou 3 dias nessas cidades, não vale a pena comprar o “bilhete único” deles para ônibus: pague diretamente na saída do ônibus, no local específico, em dinheiro/ moedas trocadas! O valor está sempre fixado na frente do veículo.

Em Kyoto, fechamos um quarto num GuestHouse (pelo Booking.com), próximo ao dojo da Okamoto sensei e o casal que nos atendeu não falava inglês, só japonês! A comunicação foi bem difícil mas eles foram extremamente esforçados, delicados e simpáticos e o lugar era lindo! Trouxeram até a netinha para conhecer nosso filho – que tem os cabelos longos e eles acharam que era uma menina! kkkk

Dividimos essa casa com outras 5 pessoas, todos chineses. E foi muito bacana assistir a final da Copa do Mundo com eles! Uma experiência que eu e minha família jamais vamos esquecer! 🙂

Como se locomover em Tóquio

A melhor maneira de se deslocar em Tóquio é utilizando o transporte público. Tem metrô e trem para todas as partes da cidade! São muito pontuais e raramente dão problema. As linhas de metrô não são muito baratas: elas são privatizadas e cada vez que você precisa mudar de linha, tem uma nova cobrança.

Se preferir, pode comprar direto na bilheteria/ guichê de auto atendimento cada trecho individual que vai usar ou optar por cartões, tipo o nosso “bilhete único”, que você abastece com um crédito e vai passando e abatendo o valor daquele trecho.

Existem 2 tipos mais conhecidos desse cartão no Japão: o SUICA ou o PASMO. Optamos pelo SUICA. Abastecemos com crédito (eles descontam o valor do cartão e reembolsam quando você devolve o cartão – eu não devolvi!) e cada um precisa ter o seu – não dá pra emprestar pro “amigo”, por exemplo, eles são individuais. Como falei anteriormente, a linhas são privatizadas: quando você entra na estação, precisa passar o cartão e quando você sai deve passar o cartão de novo, pois só aí o sistema vai contabilizar o valor daquele trecho.

Caso precise abastecer com novo crédito, basta ir nos terminais que estão em todas as estações de metrô e colocar mais. Bem fácil! E se sobrar dinheiro, você pode utilizá-los nas maquininhas (hanbaiki) espalhadas pela cidade, que vendem água, suco, refrigerante, etc. Muito prático!

Shinkansen

Como viajar de uma cidade para outra no Japão

Além de querer muito treinar no Hombu dojo, queria conhecer vários locais e outras cidades do Japão. A forma mais rápida para ir de uma cidade para outra seria pelo Shinkansen – o Trem bala.

Existe uma espécie de “passaporte” para esse transporte e somente estrangeiros tem acesso a ele. Você pode utilizá-lo por 7 dias, 14 dias ou 21 dias. E são dias corridos: iniciou num dia, tem 7 dias para vencer e assim por diante. Comprei os passaportes aqui no Brasil, diretamente no site, bem como os cartões SUICA e os bilhetes do Limousine Bus, e fiz o aluguel de um pocket wi-fi, o qual recebi um voucher e já retirei no aeroporto no momento que cheguei. Segue o link da página! https://www.japan-rail-pass.pt/jr-pass

Quando comprar, você terá que pagar uma taxa de envio. Eles mandam tudo por FEDEX. (Tem uma revenda aqui no Brasil também: https://railpassbrasil.com.br/).

Não comprei aqui no Brasil pois eles revendem apenas o passaporte; demais bilhetes não. Preferi comprar tudo pelo outro link e eles enviarem aqui para o Brasil. Fiz isso com 3 meses de antecedência e recebi na data correta.

ticket de uma viagem

Você receberá apenas um “voucher” referente ao JR Pass: precisará fazer a troca pelo passaporte, que pode ser feito já no aeroporto, quando você chegar, ou na Estação Central de Shinjuku, no balcão da JR Pass. Nesse momento você já precisa decidir qual data vai iniciar a utilização dele. Se ainda tiver dúvida, deixe para trocar depois.

Com o passaporte na mão, vá até a Estação SHINJUKU, ou qualquer estação JR Pass para reservar seu assento para o destino escolhido. Os lugares podem ser marcados. Todos os shinkanses saem da Estação SHINJUKU! Preste atenção ao nome do seu trem, ao número da sua plataforma, ao número do seu vagão e sua poltrona! Você também pode viajar sem reservar lugar – existe um vagão específico para isso, mas você corre o risco de não ter mais lugares quando chegar na fila e terá que esperar pelo próximo trem, ok?

Os shinkansens que aceitam o JRPass (não são todos) fazem paradas em alguns pontos: fique esperta no painel luminoso dentro dos vagões pra não descer em estação errada!

Dentro dos trens tem Wi-Fi, bem como tomada no seu assento para carregar seu celular!

Internet/ Wi-Fi / celular

Sem wi-fi você praticamente não consegue se locomover no Japão! Fica bem complicado pois os endereços deles são diferentes dos daqui do Brasil.

No apto que alugamos tinha um pocket Wi-Fi que o proprietário nos autorizou a andar com ele na rua e achei prudente alugar mais um para uma emergência e para o caso de precisarmos nos separar – o que de fato aconteceu algumas vezes, pois cada um queria ir para um lado! Além disso, usamos muito o Google Maps: salvou a gente a todo instante e utilizamos até para pegar o metrô! Fica a dica!

Quanto ao celular, não comprei nenhum chip. É uma ótima opção, mas já ouvi que algumas pessoas tiveram dificuldade, pois a “frequência” de lá é diferente da nossa e precisa fazer uma alteração quando você chega ao Japão. Não sei exatamente onde se faz isso, mas no aeroporto tem um balcão de celulares, chip e provavelmente lá você consegue realizar esse serviço.

Visto

Para visitar o Japão você precisa de um visto de entrada. O consulado do Japão fica em São Paulo, na região da Paulista. Porém, será uma das últimas coisas que fará, pois o visto tem validade de 30 dias para você ficar no país. Então sugiro que você deixe para tirá-lo uns 50/45 dias antes de viajar. Não demora e é bem rápido! O ideal é que você tenha as passagens na mão e o local da hospedagem quando for ao consulado: agiliza bastante! https://www.sp.br.emb-japan.go.jp/itprtop_pt/index.html

Seguro Viagem

Você precisará de um seguro viagem diferenciado se vai praticar esportes radicais ou artes marciais, seja no Japão ou em qualquer outro lugar do mundo.

Quando fui em 2018, fiz um seguro pela Porto Seguro; não foi barato, mas não consegui descobrir outro mais em conta na época, e fechei mesmo assim – era melhor estar prevenida, visto que se precisasse utilizar os serviços médicos de lá, desembolsaria uma quantia bem alta.

Atualmente descobri outra seguradora bem mais barata , a NEXT https://www.nextseguroviagem.com.br/nossos-planos/ – opte pelo plano Esporte, específico para esportes radicais e artes marciais.

Dinheiro: quanto levar?

Essa é uma questão bastante pessoal, pois tudo depende de onde você ficará hospedada(o), se vai utilizar o transporte público todos os dias ou não, se vai usar o serviço de lavanderia, se fará a maioria das refeições em casa ou comerá fora (café da manhã, almoço e jantar) e se pretende fazer passeios por Tóquio e/ou Japão.

Alguns valores para fazer contas:

  • Gastei com metrô + ônibus no Japão cerca de 2.000 ienes durante 16 dias que permaneci lá. Porém, como eu tinha uma semana de passaporte/ shinkassen, utilizei esse “passe” também na cidade (então, coloque mais uns 800 ienes nas suas contas para transporte);
  • Bentôs (marmitas): tem vários preços, mas custam em torno de 500 a 700 ienes – no final do dia chegam a custar entre 200 a 300 ienes nos supermercados;
  • Não utilizei o serviço de lavanderia quando treinei no Japão, mas vale consultar este link aqui que dá uma ótima idéia de como as máquinas funcionam e quanto custa; https://coisasdojapao.com/2018/08/coin-laundry-desvende-as-lavanderias-publicas-no-japao/
  • Custo do treino no Hombu dojo (10.800 ienes + o valor 8.000 ienes da carteirinha aikikai, caso não seja filiada(o)):

Resumindo: eu não levaria menos que 85.000/ 100.000 ienes, o que dá cerca de R$ 2.500,00/ R$ 3.500,00 para essas despesa básicas, como alimentação, treinos, transporte e lavanderia, para ficar pelo menos 15 dias, sabendo que avião e hospedagem estão fora dessa conta.

Cotação do ien na época da minha viagem: 1 ien = R$ 0,0345

Alérgicos x comer no Japão

Comer no Japão não é uma tarefa fácil, principalmente se você segue alguma dieta restrita (vegana, vegetariana, etc) ou é alérgico a algum alimento.

Os japoneses comem muita carne de porco, lamen, soba, noodless…. Se você procura algo como a comida japonesa que comemos por aqui, desculpe-me frustrá-la(o)! Claro, tem muito restaurante japonês, com sushi, sashimi, etc, mas são bem caros e diferentes dos daqui. Então não dá pra comer todos os dias nessas lugares. O melhor local para comer um bom sushi e sashimi é o Mercado Tsukiji. Comi o melhor atum da minha vida! Uma delícia! 😉

Para complicar ainda mais, meu filho tem alergia a gergelim e amendoim, e a maioria dos alimentos no Japão, principalmente os fritos, são preparados no óleo de gergelim. Precisei andar com um cartãozinho escrito em japonês informando sobre essa alergia e se o alimento que estava pedindo era seguro para o meu filho comer.

Para driblar toda essa dificuldade, fizemos várias compras no supermercado Marusho (bem perto do Hombu Dojo): iogurtes, frutas, ovos, suco, pães e conseguimos comprar bentôs também, que, como disse, são mais baratos no final do dia. Alguns bentôs não tem proteína animal então é uma boa alternativa para quem é vegetariano. Compramos comida em lojas de conveniência também: Lawson, 7Eleven, FamilyMart, etc.

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Existem muitos restaurantes de lamen, soba, noodless… Mas sou incapaz de dar qualquer referência aqui, pois entramos em lugares que não lembramos nem o nome! Você encontra vários fast food, principalmente em Tóquio. No mais, aproveite as padarias que também são maravilhosas por lá! 😉

Vale dar uma olhada neste link com dicas de restaurante! https://coisasdojapao.com/2017/05/20-melhores-restaurantes-de-tokyo/

Acredite: o Japão é um dos lugares mais seguros do mundo! Poderá andar com seu celular à vontade nas ruas, seguindo os caminhos pelo Google Maps; se esquecer algo em algum lugar, quando voltar estará exatamente onde deixou! De forma geral os japoneses são bem simpáticos com turistas e em vários momentos, principalmente no transporte público, ofereceram ajuda sem a gente pedir! E eles não desistem de você até conseguirem resolver o seu problema! 🙂

Eles caminham sempre pela esquerda, deixando a direita livre para quem vem no sentido contrário. Isso serve para escadas do metrô, nas ruas, no trânsito. Você se acostuma rápido! rsrsr

Eles levam muito a sério a reciclagem do lixo! Então ao alugar um apto ou casa fique atenta(o) as regras de reciclagem! E não há lixeiras nas ruas: guarde seu lixo com você e depois descarte em local apropriado.

Em quase todos os locais que eu fiz compras, seja no mercado ou em lojas, eles não pegam o dinheiro direto da sua mão: você deve colocar numa cestinha, que sempre fica na frente do caixa e eles devolvem o troco (sempre correto) na mesma cestinha.

E muito cuidado ao caminhar pelas ruas/ calçadas: tem bicicleta para todo lado! E não existe ciclofaixa.

Boa viagem! Espero que você visite o Japão e conte aqui sua experiência!

Deixem seus comentários ou perguntas: terei prazer em responder todos! 😉

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